Auditório CIESP Campinas | 15jun2011

Talita Matias

Otimizar o desenvolvimento de modelos de negócios foi a principal lição que os participantes do Campinas Inova 2011 receberam na quarta-feira (15). Cerca de 100 pessoas estiveram presentes no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Campinas, interessadas em aprender a metodologia Business Model Generation, que torna mais fácil a criação de um modelo de negócios. O objetivo foi aumentar a inovação nas empresas por meio da aproximação de profissionais de empresas e agentes de transferência de tecnologia de Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT) do Estado de São Paulo. Organizado pela Agência de Inovação Inova Unicamp e correalizado pelo Ciesp Campinas, Fundação Fórum Campinas e Inova São Paulo, o evento foi patrocinado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Durante a abertura, o diretor de Inovação e Tecnologia do Ciesp Campinas e diretor de Desenvolvimento Econômico da Secretaria Municipal de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo, Eduardo Gurgel do Amaral, fez um breve histórico das edições anteriores do Campinas Inova. Ele relembrou que o evento marcou a criação da Agência de Inovação da Unicamp em 2003. “Neste ano pudemos trazer o evento para a casa da indústria, com um foco direto em inovação”, salientou.

O diretor executivo da Inova, Roberto de Alencar Lotufo, destacou a importância de reunir profissionais, pesquisadores e agentes de transferência de tecnologia com um mesmo propósito. “É uma oportunidade de nós praticarmos a interação entre a universidade e a empresa na prática”, destacou. Participaram também da abertura o 1º vice-diretor do Ciesp, José Henrique Toledo Corrêa e o secretário de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo de Campinas, Rui Rabelo.

A coordenação das atividades e a exposição da metodologia ficou a cargo de Virgilio Ferreira Marques dos Santos, sócio da FM2S Aceleração de Startups e Inovação e coordenador técnico do Desafio Unicamp de inovação tecnológica. De acordo com ele, as vantagens de utilizar o Business Model Generation, criado por Alexander Osterwalder, é que o sistema permite explorar vários modelos para uso da tecnologia de modo simples, relevante e compreensível. “Outro benefício é o uso de uma linguagem comum entre empresários e pesquisadores”, enfatizou. O Business Model tem cinco fases básicas que são a mobilização, o entendimento, o design, a implementação e o gerenciamento. O treinamento do Campinas Inova teve como foco as três primeiras. Os participantes aprenderam que na mobilização devem preparar o palco para a realização do plano de negócios. Na fase de entendimento deve-se imergir no modelo de negócios, pesquisar e analisar os elementos necessários para a criação do modelo e, no design, gerar os modelos de negócio, multiplicando ideias e modelos, testando e selecionando o mais adequado. Os participantes aprenderam a utilizar a ferramenta Canvas que permite a elaboração prática do plano de negócios.

Após o treinamento, na parte da tarde, os participantes se reuniram em grupos de até quatro pessoas, escolheram uma das 82 tecnologias trazidas pelas ICTs paulistas participantes do evento, e criaram uma proposta de negócio para a tecnologia escolhida. Estavam disponíveis invenções das áreas de ciência da vida, química, tecnologia da informação e engenharias. Agentes de transferência de tecnologia da Unicamp, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Unesp, UFSCar e USP monitoraram os trabalhos da tarde, além de tirar dúvidas sobre tecnologias de suas instituições. Com a utilização do canvas, os profissionais definiram, durante a dinâmica, os potenciais clientes, a forma de relacionamento, a rede de distribuição, os recursos, atividades e parcerias chaves. Além de discutir sobre custos e receitas previstas.

José Antonio Farias Coelho, do Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Ceará (ITIC), destacou a praticidade da metodologia. “Se eu quiser fazer um negócio eu já tenho tudo encaminhado com esse modelo”, contou. Já Evandro Prieto e Leonardo Luiz Gonçalves, da Algar Telecom de Uberlândia, disseram que o Business Model Generation fornece uma visão global do negócio além de responder a várias perguntas em um mesmo quadro. “Vamos levar esse método para nossa empresa. Temos um movimento grande de inovação e somos da área de desenvolvimento de produtos”, afirmou Gonçalves. O professor Ricardo Colares, da Universidade de Fortaleza, também participou do evento com o intuito de multiplicar conhecimentos. “Eu vim observar o treinamento para aplicar na Rede de Incubadoras do Ceará (RIC), a quem estou representando”, enfatizou.

Alguns grupos consideraram a aplicação social da invenção como fator de escolha da tecnologia. Foi o caso da equipe de Izilda Capovilla, assessora técnica do Núcleo de Inovação Tecnológica Mantiqueira. Um sensor que é capaz de movimentar objetos através de pequenos movimentos musculares, desenvolvido na Unicamp, foi a invenção selecionada. “Identificamos que o produto atenderia às necessidades de pessoas com mobilidade reduzida e poderia ser vendido também para indústrias de equipamentos de fisioterapia ou reabilitação.” Outro nicho de mercado identificado foram indústrias de produtos eletro-eletrônicos, que segundo ela poderiam usar a invenção como um componente.

Ao final do evento, cada grupo fez uma apresentação dos resultados. Usar a ferramenta canvas da metodologia otimizou o trabalho. “Como a Inovação é um processo longo, é interessante que o tempo dispensado para criar um modelo seja o menor possível. Com o canvas conseguimos desenhar o modelo de negócios em uma folha de papel”, sintetizou o palestrante Marques dos Santos.

Talita Matias

O Campinas Inova, evento que será realizado no próximo dia 15 de junho, terá a participação das universidades paulistas USP, Unicamp, Unesp e UFSCar e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Além de disponibilizar mais de 60 tecnologias – entre patentes e programas de computador – para serem ofertadas durante o evento, as instituições paulistas também estarão presentes para tirar dúvidas sobre as tecnologias e fazer contato com os profissionais de empresas interessados em estabelecer parcerias de pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

Organizado pela Agência de Inovação Inova Unicamp, o evento tem como público-alvo profissionais de empresas da Região Metropolitana de Campinas e acontecerá na sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Campinas. Segundo Patricia Magalhães de Toledo, diretora de propriedade intelectual e transferência de tecnologias da Inova Unicamp, o Campinas Inova tem como finalidade aumentar a interação entre as empresas e as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs). “E ampliar as possibilidades de gerar inovação por meio destas parcerias”, coloca a diretora. Para tanto, será oferecido aos participantes um curso de metodologia Business Model Generation no período da manhã. O período da tarde será reservado para a aplicação dos conceitos da manhã e contato com as tecnologias das ICTs.

Segundo Virgílio Marques dos Santos, coordenador técnico de Desafio Unicamp e sócio da FM2S, consultoria de aceleração de start-ups, o objetivo do curso é levar uma linguagem comum para a academia e o mercado. “A metodologia Business Model Generation vai ser utilizada para se criar modelos de negócio para as invenções das ICTs de modo a ampliar as possibilidades de transferência dessas tecnologias para a indústria”, explica o engenheiro.

Paulo Roberto F. de Carvalho, da Agência Unesp de Inovação explica que as tecnologias escolhidas pela Unesp são as de maior potencial de viabilidade para futuros desenvolvimentos. De acordo com Carvalho, a participação das universidades em um evento desta natureza é muito importante, tendo em vista a interação com as empresas participantes. “Além de potenciais parcerias universidade-empresa, o evento pode propiciar o emprego exitoso do conhecimento oriundo das ICTs na geração de novos produtos, processos, disponibilizando-os ao mercado, fatores diretamente ligados à inovação, gerando benefícios e novas possibilidades à sociedade”, avalia.

De acordo com Yuri Basile Tukoff Guimarães, do IPT, o intuito de participar do evento é ter uma proximidade maior com as empresas. “Desta forma conseguimos fazer uma ponte mais rápida entre o IPT e as empresas, além de fazer com que essas tecnologias sejam vistas pelo mercado”, afirmou. Segundo ele, para escolher as invenções foram considerados o estágio de desenvolvimento e o potencial de geração de valor das tecnologias. A seleção dos trabalhos trazidos pela Ufscar teve motivações semelhantes, segundo Daniel Gobato Röhm, agente de Transferência de Tecnologia da instituição. Para ele, a possibilidade de interagir com as empresas e encontrar novos parceiros para desenvolver projetos é o que impulsiona a participação da UFSCar.

Na última quinta-feira (2) foi realizado um curso sobre o assunto, direcionado às instituições paulistas participantes: Unesp, Unicamp, USP, Unifesp, UFSCar, Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e IPT. O Campinas Inova tem financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e conta com a correalização do Ciesp Campinas, Fundação Fórum Campinas, e do Inova São Paulo. Para participar, basta inscrever-se no site. O número de vagas é limitado.

A Agência de Inovação Inova Unicamp está com as inscrições abertas para o Campinas Inova 2011. Com um formato totalmente diferente das edições anteriores, o evento tem um caráter prático, com os participantes aprendendo a criar modelos de negócios de base tecnológica. Voltado, principalmente para profissionais de empresas da Região Metropolitana de Campinas, o Campinas Inova acontece no dia 15 de junho, com financiamento CNPq e correalização Ciesp Campinas, Fundação Fórum Campinas, e Inova São Paulo.

A proposta é oferecer um treinamento inovador, na parte da manhã, em Metodologia de Business Model Generation. Esta metodologia foi usada no Desafio Unicamp de inovação tecnológica e foi adaptada para atender ao público do Campinas Inova 2011 – de empresas de base tecnológica e grandes empresas que desejam fomentar o endoempreendedorismo entre seus funcionários. “A meta é que os participantes aprendam a estruturar um negócio em função de nove blocos chave, que são: segmentos de clientes, relacionamento com os clientes, canais de distribuição, proposição de valor, fontes de receitas, atividades chave, recursos chave, parceiros chave e estrutura de custo. A partir disso, todos terão condições de estruturar um negócio de base tecnológica, que é o nosso foco”, explica Virgílio Marques dos Santos, coordenador técnico de Desafio Unicamp de inovação tecnológica e sócio da FM2S, consultoria de aceleração de start-ups.

Desenvolvimento de novos modelos de negócio

Após a apresentação da metodologia os participantes irão trabalhar em conjunto com  Núcleos de Inovação Tecnológica para um exercício de geração de projetos inovadores, através da metodologia abordada. Esse exercício nada mais é do que a construção de um modelo de negócio a partir de uma tecnologia. Para tanto, uma série de tecnologias estará disponível no Balcão de Negócios, para consulta por parte dos grupos. As tecnologias são reais e oriundas de Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT) do Estado de São Paulo, sendo que a participação destas resulta do envolvimento do projeto Inova São Paulo na iniciativa do Campinas Inova 2011. As instituições estão sendo convidadas a participar com no mínimo três tecnologias cada. Dessa forma, além de tecnologias da Unicamp, no evento poderão ser encontradas tecnologias desenvolvidas por pesquisadores da USP, Unesp, UFSCar, Unifesp, DCTA e IPT, as sete ICTs integrantes do Inova São Paulo.

De acordo com o diretor executivo da Inova Unicamp, Roberto de Alencar Lotufo, a expectativa em relação ao evento é grande. “Vamos realizar um workshop prático alinhado com as recentes iniciativas da Inova de incentivo e promoção ao empreendedorismo”, ressalta Lotufo.

A primeira edição do Campinas Inova ocorreu em 2002 e a partir de 2004 a Inova passou a assumir a realização do evento, tendo promovido duas edições seguidas. Esta de 2011 é a quinta edição. Todas as informações sobre o Campinas Inova 2011 estão disponíveis no site. Como o formato do evento prevê uma parte prática, o número de vagas é limitado e não haverá possibilidade de participação sem a inscrição prévia. A inscrição é gratuita e deve ser feita pelo site.