Talita Matias
Otimizar o desenvolvimento de modelos de negócios foi a principal lição que os participantes do Campinas Inova 2011 receberam na quarta-feira (15). Cerca de 100 pessoas estiveram presentes no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Campinas, interessadas em aprender a metodologia Business Model Generation, que torna mais fácil a criação de um modelo de negócios. O objetivo foi aumentar a inovação nas empresas por meio da aproximação de profissionais de empresas e agentes de transferência de tecnologia de Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT) do Estado de São Paulo. Organizado pela Agência de Inovação Inova Unicamp e correalizado pelo Ciesp Campinas, Fundação Fórum Campinas e Inova São Paulo, o evento foi patrocinado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Durante a abertura, o diretor de Inovação e Tecnologia do Ciesp Campinas e diretor de Desenvolvimento Econômico da Secretaria Municipal de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo, Eduardo Gurgel do Amaral, fez um breve histórico das edições anteriores do Campinas Inova. Ele relembrou que o evento marcou a criação da Agência de Inovação da Unicamp em 2003. “Neste ano pudemos trazer o evento para a casa da indústria, com um foco direto em inovação”, salientou.
O diretor executivo da Inova, Roberto de Alencar Lotufo, destacou a importância de reunir profissionais, pesquisadores e agentes de transferência de tecnologia com um mesmo propósito. “É uma oportunidade de nós praticarmos a interação entre a universidade e a empresa na prática”, destacou. Participaram também da abertura o 1º vice-diretor do Ciesp, José Henrique Toledo Corrêa e o secretário de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo de Campinas, Rui Rabelo.
A coordenação das atividades e a exposição da metodologia ficou a cargo de Virgilio Ferreira Marques dos Santos, sócio da FM2S Aceleração de Startups e Inovação e coordenador técnico do Desafio Unicamp de inovação tecnológica. De acordo com ele, as vantagens de utilizar o Business Model Generation, criado por Alexander Osterwalder, é que o sistema permite explorar vários modelos para uso da tecnologia de modo simples, relevante e compreensível. “Outro benefício é o uso de uma linguagem comum entre empresários e pesquisadores”, enfatizou. O Business Model tem cinco fases básicas que são a mobilização, o entendimento, o design, a implementação e o gerenciamento. O treinamento do Campinas Inova teve como foco as três primeiras. Os participantes aprenderam que na mobilização devem preparar o palco para a realização do plano de negócios. Na fase de entendimento deve-se imergir no modelo de negócios, pesquisar e analisar os elementos necessários para a criação do modelo e, no design, gerar os modelos de negócio, multiplicando ideias e modelos, testando e selecionando o mais adequado. Os participantes aprenderam a utilizar a ferramenta Canvas que permite a elaboração prática do plano de negócios.
Após o treinamento, na parte da tarde, os participantes se reuniram em grupos de até quatro pessoas, escolheram uma das 82 tecnologias trazidas pelas ICTs paulistas participantes do evento, e criaram uma proposta de negócio para a tecnologia escolhida. Estavam disponíveis invenções das áreas de ciência da vida, química, tecnologia da informação e engenharias. Agentes de transferência de tecnologia da Unicamp, Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), Unesp, UFSCar e USP monitoraram os trabalhos da tarde, além de tirar dúvidas sobre tecnologias de suas instituições. Com a utilização do canvas, os profissionais definiram, durante a dinâmica, os potenciais clientes, a forma de relacionamento, a rede de distribuição, os recursos, atividades e parcerias chaves. Além de discutir sobre custos e receitas previstas.
José Antonio Farias Coelho, do Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Ceará (ITIC), destacou a praticidade da metodologia. “Se eu quiser fazer um negócio eu já tenho tudo encaminhado com esse modelo”, contou. Já Evandro Prieto e Leonardo Luiz Gonçalves, da Algar Telecom de Uberlândia, disseram que o Business Model Generation fornece uma visão global do negócio além de responder a várias perguntas em um mesmo quadro. “Vamos levar esse método para nossa empresa. Temos um movimento grande de inovação e somos da área de desenvolvimento de produtos”, afirmou Gonçalves. O professor Ricardo Colares, da Universidade de Fortaleza, também participou do evento com o intuito de multiplicar conhecimentos. “Eu vim observar o treinamento para aplicar na Rede de Incubadoras do Ceará (RIC), a quem estou representando”, enfatizou.
Alguns grupos consideraram a aplicação social da invenção como fator de escolha da tecnologia. Foi o caso da equipe de Izilda Capovilla, assessora técnica do Núcleo de Inovação Tecnológica Mantiqueira. Um sensor que é capaz de movimentar objetos através de pequenos movimentos musculares, desenvolvido na Unicamp, foi a invenção selecionada. “Identificamos que o produto atenderia às necessidades de pessoas com mobilidade reduzida e poderia ser vendido também para indústrias de equipamentos de fisioterapia ou reabilitação.” Outro nicho de mercado identificado foram indústrias de produtos eletro-eletrônicos, que segundo ela poderiam usar a invenção como um componente.
Ao final do evento, cada grupo fez uma apresentação dos resultados. Usar a ferramenta canvas da metodologia otimizou o trabalho. “Como a Inovação é um processo longo, é interessante que o tempo dispensado para criar um modelo seja o menor possível. Com o canvas conseguimos desenhar o modelo de negócios em uma folha de papel”, sintetizou o palestrante Marques dos Santos.


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